domingo, janeiro 07, 2007

Texto Romântico

Vamos continuar fingindo como sempre, todos fingem e eu nunca quis desse jeito.
Nunca quis fingir dessa maneira, nunca quis que tu fingisses dessa maneira.
Atuamos.
No momento, tudo que gostaríamos de ter sido some assim feito nuvem.
Tão inesperado quanto o sol, quando estamos tristes assim. Tão inesperado quanto um final infeliz num filme preto e branco.
Triste assim.
Enfim.
Quem somos nós para decidirmos o que é melhor durante as nossas noites solitárias?
Somos quase inteiramente irresponsáveis com os sentimentos que pensamos que estão dentro daquele vazio que sentimos quando chegamos em casa.
Pensamos ter experiência mas temos incapacidade para decidir.
E todo o ciclo começa novamente.
Renova a esperança, moço.
Que essa que tu pensastes estar nova não passou da sensação que encheu teu tempo.
Que tempo?!
Quanto durou, quanto duraria, o quanto jamais resistiria?
Vamos deixar as coisas mais confusas, faz bem.
É romântico ser assim, confuso.
Digo o que eu quero, não preciso ser pão com manteiga.
E tu:
“Que lindo!”
Por que tu és romântico também... ôh confusão que adoramos.
Adoramos ficar pensando nessas palavras sem sentido que fingimos proferir bem...
Ai como sou romântico!
De acordo com o que me consta, esse tipo de pensamento demora, no mínimo, uma década pra passar. Vamos continuar fingindo que estamos nos anos sessenta, afinal, eles eram tão românticos!
Mas pense bem: temos que ser bons atores.
Se queres ser romântico, de verdade, tens que dar uma vasculhada além do roupeiro do teu avô.
Depois é só fingir, direitinho, quando estiveres bem decidido por alguém.
As pessoas são muito mais do que meros personagens que convivem nesse teu filmezinho de quinta.

sábado, janeiro 06, 2007

Texto Romântico (parte 3)

- Seu filho da puta! Por que tu não me ligou?!

(Ela sempre é rude com as pessoas que ela gosta)

- Poxa! Nem sequer uma mensagem! Por que, então, tu me pediu o número do meu telefone? Pra bonito?!

(A parede tá fazendo cara de “e eu com isso?”)

- Ok, ok... tu me deu o teu número também, eu sei que poderia ligar pra ti e acabar com a minha agonia... Mas e daí, seu merda?! Eu sou machista! E aí?! Não vai me ligar? Que se dane, então! Ah!

(E, gente, ela é a menina mais doce que eu conheço! Não sei o que dá nessa menina que, quando ela começa a criar esperanças a respeito de alguém, se tona grossa, um bicho-do-mato, mesmo. Ela não faz por querer, tadinha...)

- Tu que tem que me ligar...

(Ah, por favor. Que dó. Ela tá alí ajoelhada, com o telefone sob o queixo, toda chorosa sobre os bracinhos, com pinguinhos de água nos zóinhos!)

- Eu quero alguém pra dormir que nem um macaquinho, comigo, à noite...

(Ela olhou pro teto. Ela pensou de novo...)

- Eu quero que tu durmisses que nem um macaquinho, comigo, durante muitas noites...

(Agora um daqueles suspiros dela conseguiu preencher todo o vazio do quarto. E o mais triste é que eles tinham tudo pra terem juntos um futuro, mesmo que breve, muito feliz. Tomei as dores dela agora... que menino bem mal-educado! Nem sequer ligou para dizer adeus...)

- Já sei! Vou fazer uma promessa a Santo Antônio!

(Tadinha. O pior de tudo, mesmo, é ter esperanças).

terça-feira, janeiro 02, 2007

Valentim e Valentia

Hoje eu estava sendo muito valente.
Valentia não me convém já faz algum tempo.
Mas hoje foi diferente:
Acordei valente.

Acordei tão valente que fiquei feliz,
aproveitei o dia para ser boa,
fazer tudo bem feito,
já que a vontade de ajudar veio de dentro.

A minha valentia é de algum modo
meia-irmã de Valentim, o santo,
no seu mais primo significado.
Pois é isso que eu bem quero com mal querer.

A Valentim eu apresento um amigo
e eu fico só os observando, sem poder.
Quão feliz ele tornou-se ao conhecê-lo!
Tão feliz que acaba o querendo só para sí.

Não chio, minha valentia não vai mudar,
jamais esteve dentro de mim bem acordada:
Bandida criou vida própria e agora quer fugir,
ocupar o meu lugar na minha cama.

O único que eu ainda julgava ser só meu!
O único que eu ainda julgava ser só meu.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Acorda

A corda seria a solução. Concordamos que isso seria um enorme clichê barato, mas nesse caso, isso deixaria de ser. Acordar seria a solução, mas aí a solução certa a tomar. Embora "acordar" também esteja na categoria "clichês", esse é mais um caso que não se encaixaria. Repetição também é clichê. Ficar repetindo as coisas é um método fácil para transmitir uma idéia que se quer fixada na mente das pessoas que lêem, mas no meu caso, no caso dessa idéia toda, não seria mais um clichê, já que a idéia que eu estou escrevendo só entrará na mente de uma pessoa.

A minha pessoa.
Acorda.

Todas as palavras dele não passam de cordas. Cordas fatalmente enleadas para lhe confundir. Simples assim. Precisa parar de querer desenfiá-las, para que pare com essa bobagem romântica que, sim, você pensava que um dia funcionaria. Mas não vai. Nunca funcionou. Acordar é a situação mais tensa que poderá ter, e que vai ter que passar. Tensa como ficava ao ler as cordas dele que não eram, nunca foram suas. Simples assim. Mesmo. Mesmo, mesmo. Ele sempre soube como tem o dom das cordas, um exímio escoteiro, embora muito maior que isso. Mas não é sua função desatar os nós dele. A sua função, agora, é acordar e viver, usando a sua corda para confundir, apaixonar e refrescar a cabeça das pessoas que ainda estão entrelaçadas nas cordas de quem não as quis nunca enrolar.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Quem eu sou

...

Hoje talvez...?

Então.

Eu deixo de ser muito (humpf!) e sou aproximadamente a pessoa que vocês pensam que eu sou quando me vêem mas...

ah nãooooo (!)

lá no fundo eu quero ser...

- Uma formiga!!!!!

Assim eu viveria num formigueiro e passaria......

"óóóhhh o dia inteeeeeeeeeiro"

......comendo açúcar! O que me faria sempre me lembrar só das pessoas que eu gosto.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Conversa de palavras repetidas, podendo ser, além disso, certo processo psicológico de espelhamento

(Efêmera troca risonha, não duvidosa pois veio de ambos lados, de duas espontâneas palavras estimulantes, possuindo talvez sentido ambíguo na mente de quem lê)

A Moça:

- Vamo lá!

O Homem:

- Vamo lá.


_______
(o texto não deve ser interpretado como algo patético, diga-se de passagem)
-participação especial: marcelo camelo-
-17.11.2006-

segunda-feira, novembro 06, 2006

Conservatório

Esse dia úmido há tempos não existe.
A flor do jacaradá, fresca na calçada,
me avisa sobre o lugar que de alguma maneira
(além dos cheiros e da temperatura)
me faz voltar àquela tarde de uns anos atrás
quando eu ainda era apenas curiosa,
laço rosa,
soprando velas...

... Lento...

Essa placa de casa me diz nada além do nome
(cujo o sentido eu não sei)
ela somente traz a dúvida do que seria.
Eu espio como sempre e pela janela vejo
um menino tocando seu mudo violino
porém isso ainda não me responde
aí sinto permanecer
o meu leve flutuar...

... Sopra...

Passa o velho com seu cigarro
(fumaça de palha)
guiando o ar para outra vez
me levar
àquela mesma tarde
donde eu sempre
me sinto
segura em estar.